O mercado de trabalho do futuro ainda não tem características definidas. A transformação digital provoca mudanças rápidas, e é difícil acompanhá-las. O que se sabe até o momento é que boa parte das ocupações serão substituídas. Conforme estudo da consultoria PwC, a robótica e a inteligência artificial ocuparão vagas “vulneráveis” até 2030.

No Japão, o percentual das vagas que podem ser substituídas é 21%. Nos Estados Unidos chega a 38%. E isso traz um alerta para os pais que se preocupam com o futuro dos filhos: como prepará-los? Em que se deve investir para que tenham sucesso?

A resposta parece óbvia, mas não é. O investimento mais certo é desenvolver competências profissionais insubstituíveis ou complementares. Tarefas que envolvem relações humanas só podem ser protagonizadas por pessoas. Aquelas que demandam “jogo de cintura” também.

Por isso, o mercado de trabalho do futuro será composto por trabalhadores com competências profissionais interligadas. Neste post, falamos um pouco sobre elas. Confira!

Mercado de trabalho do futuro

Preparar-se para o mercado de trabalho do futuro é um grande desafio. Apesar de a tecnologia permeá-lo, os computadores serão muito diferentes do que são atualmente. Ao invés de se basearem em “uns” e “zeros” dos códigos de programação, serão mais próximos ao cérebro humano e às leis quânticas.

Por isso, pensar no conhecimento que as crianças devem ter hoje não é uma ideia eficiente. É preciso entender o que o mercado de trabalho do futuro exigirá. Os especialistas apontam que os trabalhos rotineiros e burocráticos serão absorvidos pelas máquinas. Mas não as ocupações de relação humana direta.

Apesar de saltar por aí notícias que parecem ruins, com o desaparecimento de vagas, há também boas perspectivas. O relatório The Future of Jobs do Fórum Econômico Mundial estima 133 milhões de novos postos de trabalho até 2022. Por outro lado, cerca de 75 milhões de empregos serão extintos. Ou seja, o saldo é positivo.

Resta, assim, entender quais são as competências profissionais desse mercado de trabalho do futuro.

Competências profissionais

Muitos pais se preocupam em como desenvolver seus filhos de forma eficiente. Quais serão as competências profissionais necessárias no futuro? Quais as habilidades e os atributos que serão cobrados nos novos modelos de trabalho?

Em primeiro lugar, é preciso fazer um alerta importante. Os profissionais de pedagogia e psicologia manifestam preocupação com a ânsia dos pais em desenvolverem seus filhos. Há quem preencha o dia da criança com inúmeras atividades extracurriculares, em uma rotina de “super-herói”.

Mas é preciso ter em mente o descanso e o tempo de lazer da criança, essenciais para seu desenvolvimento. Atualmente, há muitos casos de transtornos psicológicos causados pela rotina intensa. Por isso, é bom dosar o dia a dia dos filhos, contando com a participação deles nas decisões.

Observando este ponto, os pais conseguem contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento dos filhos. Nas idades apropriadas, podem ajudá-los a desenvolver as competências profissionais que serão requisitadas no mercado de trabalho do futuro.

Conheça algumas delas a seguir!

Destreza digital

Especialistas do mercado chamam de “destreza digital” um perfil específico de profissional do futuro que é uma espécie de multiprocessador.

O multiprocessador é capaz de ler e processar coisas ao mesmo tempo. Ele cria um modelo na mente e organiza a informação. Consegue ter um olhar “fora da caixa”, para múltiplos ângulos atípicos. Lida, com grande destaque, com a complexidade e com a adversidade.

Essa é a declaração de Bill Gates no documentário Inside Bill’s Brain que define a “destreza digital”. A consultoria americana Gartner listou as cinco competências de um profissional com esse perfil:

  • Jogo de cintura nos relacionamentos;
  • Gosto pelo trabalho colaborativo;
  • Perspicácia nos negócios;
  • Pensamento sistêmico;
  • Adaptabilidade.

O mercado de trabalho do futuro é voltado para este tipo de profissional. Ele consegue ser ainda mais eficiente em ambientes disruptivos, que estimulam novos padrões.

Pensando em um mundo que muda com rapidez, é uma das competências profissionais mais valorizadas, sem dúvida. Afinal, são pessoas que aprendem rapidamente e têm disposição para a mudança, além da ambição de inovar.

Alguns pais confundem a destreza digital com a imersão do filho em tecnologia. Aqui, não estamos incentivando o vício, que é nocivo para a saúde e para a produtividade. A ideia principal do “talento digital” é a mentalidade e a atitude. É querer simplificar processos próprios e de terceiros.

Claro que ter contato com as tecnologias do futuro, como noções de programação e design, é importante. Considerando que as profissões do mercado de trabalho do futuro são tecnológicas, é um conhecimento fundamental. Dessa forma, as ferramentas poderão ser melhor utilizadas.

Mas o ponto central é desenvolver habilidades que as máquinas não conseguem ter: pensamento crítico e reflexivo, capacidade de persuasão, criatividade e outras.

Multitasking

O mercado de trabalho atual adora o profissional multitasking. Em algumas empresas, esse conceito é utilizado de maneira errônea. O multitasking não é o profissional que assume tarefas de diversos setores e se sobrecarrega.

Ser multitasking é ter uma das competências profissionais muito desejadas em empresas inovadoras: ir além de sua qualificação específica, adquirindo e aplicando conhecimentos que complementam o trabalho.

Em outras palavras, é entender a atividade da qual participa para buscar conhecimentos que não necessariamente são do seu campo de atuação, mas que otimizam sua atividade.

Ou seja, o profissional de uma empresa deve entender sua atividade-fim, indo além do seu trabalho. Tudo que puder consolidar uma visão sistêmica, como entender as relações interdependentes internas e externas, é desejável.

Sem dúvidas, a habilidade de trabalhar com vários assuntos ao mesmo tempo será muito requisitada no futuro. Para isso, o profissional deverá investir em capacitação profissional, atualização constante quanto ao mercado e ser muito organizado.

Se pensarmos na educação infantil, é possível pensar de maneira bem simples. Organizar o quarto e os brinquedos, por exemplo. É uma prática que desenvolve um dos lados do profissional multitasking. Estimular a criança a pensar e criar contextos para as historinhas também.

Fluência em idiomas

Uma das competências profissionais que atravessa gerações e permanece importante é a fluência em idiomas. Se pensarmos nas possibilidades do mercado de trabalho futuro, ela se mantém como prioritária.

Em um primeiro aspecto, os conhecimentos técnicos que envolvem tecnologia são majoritariamente escritos em inglês. Afinal, é o idioma universal e básico. Mas, em outro aspecto, saber outro idioma abre muitas possibilidades para o profissional em outros locais.

Não à toa, muitos pais se esforçam para que seus filhos façam intercâmbio. Essa experiência faz parte da formação da criança e, para aproveitar as possibilidades que ela oferece, é preciso ir com alguma base em outro idioma. Além disso, ao solidificar o aprendizado do idioma antes de sair do país, eles podem desenvolver relações e rede de contatos fora do Brasil. Seja em países de língua inglesa, espanhola ou francesa, ter fluência em idiomas é essencial para o mercado de trabalho futuro.

Comunicação e colaboração

Imagine que você está em uma sala com várias pessoas. Sua opinião é divergente da opinião de 90%. Mas você demonstra grande capacidade de defender seu ponto de vista, mesmo sendo minoria. Possui argumentos convincentes para a discussão.

Essa habilidade de comunicação de ideias é altamente valorizada hoje. No mercado de trabalho futuro, continuará sendo. Uma pessoa que consegue transmitir ideias de forma eficiente e assertiva, sem dúvidas, é importante em muitos aspectos. E ter um vocabulário mais amplo, especialmente de outros idiomas, aumenta essa capacidade.

Em muitos casos, é tão importante quanto ter conhecimento técnico. Com certeza você já ouviu alguma história sobre um professor que era PhD, mas não conseguia transmitir isso na aula, certo? É exatamente isso. E essa habilidade é também relacionada à colaboração.

O ensino formal sempre nos induziu a realizações individuais, seja em provas ou em estudos em casa. A ideia era que nossos méritos e fracassos são exclusivamente individuais. Porém, atualmente e no futuro, o ambiente de colaboração é o ideal nas relações de trabalho.

Uma equipe colaborativa pensa melhor e traz mais resultados para uma empresa. Quando as equipes contribuem entre si, as funções se interligam e a dinâmica de melhoria se instala facilmente.

E isso é, também, um dos pontos de diferença entre o trabalho da tecnologia e de uma pessoa. Em alguns anos, veremos humanos colaborando com humanos para trabalhos que serão exercidos por máquinas. O senso de cooperação é, assim, elementar nas novas formas de trabalho.

Não se esqueça de que nós, brasileiros, somos vistos como pessoas resilientes e criativas. Considerando que essa diversificação de habilidades se relaciona diretamente com a cooperação, essa característica pode abrir muitas portas no mercado de trabalho futuro.

Por isso, devemos promover a colaboração nas relações entre as crianças. É o início do desenvolvimento desta habilidade, mas também de outras. Em muitos casos, o recreio será a aula mais importante. É nele que elas experimentam situações de conflitos e resolução de problemas.

E essas competências de colaboração e comunicação se ligam diretamente a uma habilidade maior: inteligência emocional.

Inteligência emocional

Inteligência emocional significa o conhecimento e o controle sobre as próprias emoções. É o que expõe Daniel Goleman, psicólogo e autor do livro Inteligência Emocional.

São vários os pilares do desenvolvimento da inteligência emocional:

  • Habilidades sociais;
  • Autoconhecimento;
  • Automotivação;
  • Adaptabilidade;
  • Autocontrole;
  • Empatia.

Essa inteligência é um passo importante do autoconhecimento, algo fundamental para nosso desenvolvimento enquanto indivíduos. Desenvolver a inteligência emocional é, assim, uma prática que os pais devem priorizar em relação aos filhos. Vale destacar que ela não é uma habilidade inata, mas passível de evolução.

No mercado de trabalho, os profissionais devem lidar com diversos sentimentos diariamente. Frustração, estresse, pressão, motivação, empatia. Aqueles que conseguem compreender e gerir essas sensações têm maior capacidade de executar suas atividades.

A inteligência emocional é uma das competências comportamentais que embasam outras competências profissionais. Um líder é, por essência, uma pessoa inteligente emocionalmente. Portanto, desenvolver essa inteligência pode levar um profissional a alcançar grande patamar na carreira.

Por fim, cabe uma consideração. Lembra que alertamos sobre a rotina de “super-herói” imposta a muitas crianças? Considerando que o cérebro se desenvolve gradualmente, a imposição de um desenvolvimento intelectual fora do tempo atrapalha a inteligência emocional da criança. Ocorre uma sobrecarga no sistema nervoso, o que leva à baixa de imunidade e a outros problemas, como enurese (incontinência urinária noturna).

Capacidade de adaptação

Especialmente no mercado tecnológico e de inovação, os cenários mudam rapidamente. Por isso, é fundamental que um pessoa desenvolva sua adaptabilidade ou capacidade de adaptação.

Dançar” conforme a música, ser resiliente e flexível diante de adversidades e imprevistos é uma das competências profissionais interessantes para o mercado de trabalho futuro. e adversidades. Ela demonstra que o indivíduo consegue ter um mindset ampliado e equilibrado, de modo buscar solucionar problemas.

Pessoas com adaptabilidade apresentam reações rápidas em condições variáveis. Além disso, por reagirem bem nas diversas circunstâncias, têm maior resistência ao estresse.

Multidisciplinaridade

Por fim, outra competência profissional importante para o mercado de trabalho do futuro é a multidisciplinaridade. Aquilo que aprendemos na educação formal já não é o bastante para o mercado. Precisamos de desenvolver competências e conhecimentos múltiplos.

Se por um lado é importante ter destreza digital, é interessante ter o conhecimento técnico no campo principal de atuação e em campos tangentes. E, claro, buscar constante atualização sobre os principais temas vinculados ao trabalho.

Imagine um profissional da área de tecnologia. Ele pode dominar as tendências futuras, mas não será tão útil para uma empresa se não entender seu papel estratégico nela. Isso dependerá de conhecimentos financeiros e de gestão. Afinal, ele poder ter um grande projeto inovador e não conseguir executá-lo por falta de recursos.

A multidisciplinaridade é, assim, saber coligar conhecimento.

É percorrer vários segmentos e uni-los em prol da atividade exercida. Isso está no centro da transformação e pode ser necessária em diversas situações: oportunidade de trabalho fora do país, intercâmbio, trabalhos em equipe.

Essa competência também aumenta a capacidade de raciocínio e pensamento crítico. Com mais conhecimento em âmbito global, o profissional consegue inovar. Esses indivíduos híbridos, que mesclam habilidades técnicas e comportamentais, serão muito requisitados.

O mercado de trabalho do futuro será muito particular. Preparar indivíduos com as competências profissionais que serão mais exigidas é uma tarefa que envolve muitas pessoas. Pais, professores, mentores, todos têm responsabilidade na formação dos profissionais do futuro.

No entanto, os pais são as primeiras referências das crianças. Respeitando o tempo de desenvolvimento infantil, é possível propor boas atividades para que, aos poucos, elas evoluam nessas competências. No futuro, elas certamente agradecerão.

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